♒︎ Capítulo Ⅰ ♒︎
O sol nasce iluminando o céu e Antônio começa aquela manhã agitado e nervoso. Num tira e põe de potes das prateleiras, não conseguia encontrar a ração para alimentar seu pássaro Fobos, um formoso sanhaçu-azul que piava protestos de sua gaiola que eram audíveis em toda casa, a ave clamava por seu atrasado café-da-manhã.
— Se você continuar com essa barulheira, eu desisto de procurar seu café e faço você virar meu almoço sua ave maldita. — disse o rapaz para o bicho faminto, mas que curiosamente fez uma pausa na cantoria no momento da ameaça, como se tivesse entendido o recado.
— Não diga isso ao pobrezinho, eu não deixaria você fazer essa atrocidade. — respondeu o Sr. Pacheco, um homem de idade com os cabelos já grisalhos.
Antônio era um jovem de 25 anos que tinha cabelos cacheados como anéis de cebola e uma protuberância em suas costas que ficava debaixo de uma jaqueta preta e grossa que vestia sempre. Os três, Antônio, Sr. Pacheco e o pássaro Fobos, viviam sozinhos em uma pequena, simples e isolada casa que mal pegava sinal de telefone. A fonte de renda para a família vinha da aposentadoria do Sr. Pacheco, um ex cirurgião plástico que em um dado momento da vida abandonou a carreira para viver afastado da cidade.
— Olha, sinceramente, eu desisto! Vai ficar sem comer, pode fazer o barulho que for, eu não ligo. — falou Antônio dando de ombros e fechando a última porta da prateleira da cozinha.
— Você não gosta do Fobos, né? Sempre o tratou tão mal... Eu não entendo... — disse Sr. Pacheco sentado na bancada da cozinha, observando o rapaz e comendo uma torrada com manteiga. Aliás, este era um ritual que ele mantinha todos os dias, sempre bebia um café preparado pelo próprio Antônio, o velho nunca abria mão de seu café.
— Não é culpa minha, a comida dele simplesmente desapareceu. — respondeu o jovem. — Além disso, eu já lhe disse o por quê eu não vou com a cara desse pássaro.
— Disse? — perguntou o homem que terminava de limpar a faca serrilhada suja de manteiga em sua terceira torrada naquela manhã.
— Ele é um animal da natureza, poderia estar voando por copas de árvores de uma mata qualquer, buscar néctar, comer insetos, acasalar, nidificar... Sabe? Essas coisas de bicho...
— Mas ele não tem culpa de estar aqui, não entendo como isso possa se tornar motivo para você odiá-lo, além disso, ele gosta daqui, ele continua cantando e me parece muito feliz e satisfeito. — interrompeu o velho.
— Mas é exatamente por isso que eu o desprezo, como pode ser tão passível e conivente com aquilo que o força a agir contra a sua própria natureza? — disse Antônio fitando Fobos que voltara a cantarolar.
— Minha nossa, que reflexão profunda e desnecessária... — Sr. Pacheco deu uma risada com toda aquela filosofia barata.
— Pensando um pouco, eu realmente não deveria culpá-lo, ele é a vítima em toda essa situação problemática e não está na minha posição julgar o que uma sociedade impõe para..
— Tá legal Antônio, cala a boca pelo amor de Deus. — Interrompe Sr. Pacheco que deixa Antônio frustrado por não acabar seu discurso, ás vezes Antônio se empolgava e falava demais. — Eu vou ignorar o fato que você está se doendo por causa da felicidade de um pássaro e mandar você ir na cidade comprar mais alpiste. Aliás, preciso fazer uma lista antes porque, além da comida do Fobos, alguns remédios meus também acabaram e eu preciso deles se você não me quer ver caindo duro aqui no chão...
— Pensando um pouco, eu realmente não deveria culpá-lo, ele é a vítima em toda essa situação problemática e não está na minha posição julgar o que uma sociedade impõe para..
— Tá legal Antônio, cala a boca pelo amor de Deus. — Interrompe Sr. Pacheco que deixa Antônio frustrado por não acabar seu discurso, ás vezes Antônio se empolgava e falava demais. — Eu vou ignorar o fato que você está se doendo por causa da felicidade de um pássaro e mandar você ir na cidade comprar mais alpiste. Aliás, preciso fazer uma lista antes porque, além da comida do Fobos, alguns remédios meus também acabaram e eu preciso deles se você não me quer ver caindo duro aqui no chão...
— Tá bom... — Antônio assentiu e o sr. Pacheco deu uma tosse seca em seguida. — O senhor está se sentindo bem?
— Melhor impossível graças a Deus, por que a pergunta?
— Por nada, só me preocupo com o senhor. — respondeu o rapaz.
— Se preocupa? — o velho deu uma cínica gargalhada seguida de outra tosse seca. — Eu estava planejando fazer as compras dos meus medicamentos amanhã, já que temos que ir na clínica fazer mais alguns exames. Iriamos para a cidade de qualquer jeito, mas visto as circunstâncias... Não quero deixar o Fobos passando fome. Mas comporte-se na cidade, estou lhe dando um voto de confiança.
— Se preocupa? — o velho deu uma cínica gargalhada seguida de outra tosse seca. — Eu estava planejando fazer as compras dos meus medicamentos amanhã, já que temos que ir na clínica fazer mais alguns exames. Iriamos para a cidade de qualquer jeito, mas visto as circunstâncias... Não quero deixar o Fobos passando fome. Mas comporte-se na cidade, estou lhe dando um voto de confiança.
Antônio terminou o café e foi logo se arrumar, sabia que demoraria pelo menos umas duas horas para chegar à cidade usando uma velha caminhonete cinza que o Sr. Pacheco tinha, então decidiu continuar com a mesma jaqueta preta de sempre e partiu. O lugar onde moravam era totalmente isolado da civilização, não existia outras casas e outras pessoas, por isso, sempre que precisavam, iam para a cidade de Pafos onde conseguiam todos os suprimentos para continuarem suas vidas.
Ao chegar na cidade, Antônio passa primeiro em um pequeno mercado, tira dois papeis dobrados do bolso e os analisa com muita atenção, um era a lista de compras entregue pelo Sr. Pacheco e o outro era sua receita médica com os medicamentos a serem comprados. Ele compra alguns produtos como mel, cebolinha e algumas quitandas, mas decide não levar as maçãs expostas na bancada, constatou que não estavam com um aspecto muito agradável. Logo em seguida, ele vai para uma drogaria comprar os remédios, a cidade era pequena e tinha poucos estabelecimentos comerciais, mas não faltava produtos, as lojas tinham de tudo um pouco. Ao sair da drogaria ele é surpreendido por um rapaz magro, com cabelos rebeldes e olhos castanhos que era acompanhado por um labrador preso em uma corrente.
— Moço, desculpa incomodar, mas você sabe onde fica a casa de ração mais próxima? — perguntou o sujeito.
— Não fica muito longe daqui, eu também estou precisando dar uma passadinha lá, se quiser eu o acompanho.
O homem aceitou a oferta, agradeceu e ambos seguiram o caminho calados. Na metade do percurso, o homem nota que Antônio encarava muito seu cachorro e decide quebrar o silêncio.
— Fica tranquilo pô, ele é muito manso, não vai te fazer mal algum.
— Não tenho medo dele, ele tem cara de bagunceiro. — respondeu Antônio com um sorriso. — Eu gosto de cachorros, qualquer um, mas infelizmente eu só tenho um pássaro bobo em casa que só sabe fazer barulho... Mas qual é o nome dele?
— O nome dele é Antero e ele é muito bagunceiro sim essa peste. Esse arruaceiro ama destruir os meus chinelos, pense num cachorro arteiro, é Antero. — Respondeu o homem dando um cafuné no cachorro.
— Nossa, me desculpa, mas que nome diferente para se dar a um cachorro.
— Oush, tudo bem. — o homem riu. — E o qual é o nome do seu pássaro?
— Ele se chama Fobos... Na verdade, também não é um nome tão comum né? — Os dois riram.
— E é? Mas rapaz, eu achei o nome bonito e qual é o seu nome? — perguntou o moço gentilmente.
— Meu Deus, meu nome é Antônio. Me perdoe, perguntei o nome do seu cachorro antes de perguntar seu nome, como você se chama?
— Que isso cara, tá tudo certo, eu me chamo Eth. _ respondeu.
— Nossa, definitivamente você ganhou no quesito nomes incomuns. — ambos riram mais uma vez. — posso passar a mão no seu cachorro?
— Sim, mas só se você deixar eu passar a mão nessa sua corcunda. — disse o homem levando a mão para encostar na protuberância que o Antônio levava nas costas. Antônio, percebendo, dá um tapa corretivo na mão de Eth que leva um pequeno susto.
— Então não. — vetou Antônio seriamente.
— Nossa que inconveniência minha, me desculpe, era só porque costumam dizer que dá sorte passar a... por favor, me desculpe. — Disse Eth estando muito constrangido com o clima que a antes calorosa conversa agora tinha levado.
— Está desculpado. — respondeu Antônio ainda com um semblante sério.
— Se quiser, eu te ajudo a carregar suas sacolas que devem estar pesadas e você pode fazer carinho no Antero, é minha forma de me redimir. — disse Eth estendendo a coleira do cão para Antônio.
Antônio aceitou a oferta e fez carinho em Antero que babava em sua mão com algumas lambidas e balançava seu rabo freneticamente muito animado. Eles andaram mais alguns passos e chegaram em um lugar com um letreiro escrito "Casa de Ração Pandora". Os dois continuaram a conversa até a seção de rações da loja.
— Qual é a raça do seu pássaro? — perguntou Eth para Antônio.
— Fobos é um sanhaço.
— Eu acho que uma ração com farinha de minhoca e frutas tropicais... hmm espere... — ele analisava muito atento os expositores de ração da loja. — ...seria mais saudável pra sua ave, tipo... — Eth se inclina por cima dos expositores e aponta para uma embalagem de ração esverdeada com um pássaro parecido com o Fobos na capa. — Tipo está! Sabe, eu já fiz faculdade de veterinária, então...
— Ah, obrigado... Acho que o Fobos merece uma ração de qualidade... — Antônio exitou um pouco ao ir pegar a ração. — O velho diz que eu não gosto, mas eu até gosto dele sim, só queria que ele fosse mais feliz...
— O velho no caso é seu pai?
— Meio que sim... — Antônio responde ao pegar a ração sugerida. — Agora eu só preciso achar um veneno para ratos, está tendo uma infestação dessa praga lá em casa.
— Eu vim aqui para comprar biscoitos pro Antero, ele ama demais, ixe...
Com tudo comprado, ambos se despedem e Antônio volta para a casa. No caminho de volta, o rapaz fica a viagem inteira pensando sobre o estranho sujeito e seu cachorro que tinha acabado de conhecer, mas ele voltou os pensamentos para a realidade quando a caminhonete cinza que dirigia se aproximou da sua casa.
— CHEGUEI, TROUXE SEUS REMÉDIOS! — ele grita ao chegar em casa, mas não obteve respostas.
Ele coloca todas as sacolas sobre a mesa e checa todos os produtos, neste momento o jovem se dá conta que as sacolas com os remédios e com a receita médica do Sr. Pacheco não estavam ali e pensa que ele poderia possivelmente ter esquecido com o homem que conhecera a caminho da casa de ração, poderiam ter trocado algumas sacolas em uma confusão na despedida.
— Droga! Velho, eu tenho uma má notícia para... — ele não consegue terminar a frase ao ver o Sr. Pacheco estendido no chão da cozinha completamente desacordado. Antônio fica imóvel por uns instantes, mas quando volta em si, corre em direção ao homem e checa sua pulsação. O rapaz decide levar o idoso desacordado para a caminhonete no banco de trás, pega o pássaro Fobos e o coloca no banco do Carona, dá a partida na velha caminhonete e parte pela estrada de terra. Antônio suava e seus batimentos estavam acelerados, ele estava tão nervoso que quase não percebeu quando um sujeito gritava em direção ao carro.
— EI! POR FAVOR, AJUDA! — gritava o misterioso ser, que logo quando Antônio, ao descer do carro para ver o que se tratava, identificou ser Eth, o homem que conheceu a caminho da casa de ração. Milhões de perguntas entraram na cabeça do jovem, "como diabos esse menino veio parar aqui?", mas ele nem conseguiu dizer nada com o menino impaciente e aflito pedindo ajuda.
— Antônio! Que bom te encontrar aqui, eu preciso de ajuda, rápido venha comigo. — disse Eth puxando Antônio para um lugar. — O Antero foi atropelado, ele está imóvel, eu estou muito preocupado, eu não quero perder meu cachorro!
— Desculpe, mas eu não posso ajudar, encontrei meu pai desmaiado dentro de casa, preciso levá-lo para o hospital o quanto antes.
Mas então, Antônio se depara com o cachorro deitado na beira da estrada completamente estático, ele se aproxima aos poucos para ver o que aconteceu com o bicho. Ao parar na frente do animal, tudo fica preto. Antônio desmaia e acorda aos poucos com uma dor de cabeça enorme que invade seu cérebro e ele geme de dor, quando recobra os sentidos, percebe estar em um ambiente pequeno, apertado e muito escuro com apenas uns pequenos pontos de luz e ele começa a ouvir um barulho de motor.
Nesse momento, o jovem percebe que está sendo sequestrado e carregado no porta-malas de um carro em movimento. Antônio levanta e rapidamente tira o painel que cobria a lanterna traseira do carro para tentar abrir o porta-malas e escapar. O rapaz começou a arrancar os cabos de lá de dentro, em seguida começou a dar consecutivos chutes até quebrar o vidro da luz de freio e, com o vidro quebrado, enfiou a mão pelo buraco tentando abrir o bagageiro. Antônio consegue abrir o compartimento e pula rapidamente do carro em movimento rolando pelo chão. Ele levanta e percebe que o carro freia bruscamente, então, Antônio tira sua jaqueta e a joga no chão. Nessa hora, a protuberância que estava em suas costas revela que na verdade escondia um par de asas grandes com penas brancas iguais pérolas e Antônio se prepara para voar. Eth sai do carro e grita "ANTERO, PEGA", o cachorro salta do carro, corre em direção ao jovem que estava há alguns centímetros do chão e morde seu calcanhar. Antônio grita de dor desconcentrando-se e caindo no chão. Eth não perde tempo e corre em sua direção, o imobiliza segurando suas mãos e colocando os joelhos em cima das asas de Antônio que estava gritando e se debatendo desesperado. Em seguida, Eth coloca um pano no rosto de Antônio até o rapaz desmaiar e, com ele inerte, o carrega para o banco traseiro de seu carro. O carro parte em direção ao infinito. O sol se põe.
— Moço, desculpa incomodar, mas você sabe onde fica a casa de ração mais próxima? — perguntou o sujeito.
— Não fica muito longe daqui, eu também estou precisando dar uma passadinha lá, se quiser eu o acompanho.
O homem aceitou a oferta, agradeceu e ambos seguiram o caminho calados. Na metade do percurso, o homem nota que Antônio encarava muito seu cachorro e decide quebrar o silêncio.
— Fica tranquilo pô, ele é muito manso, não vai te fazer mal algum.
— Não tenho medo dele, ele tem cara de bagunceiro. — respondeu Antônio com um sorriso. — Eu gosto de cachorros, qualquer um, mas infelizmente eu só tenho um pássaro bobo em casa que só sabe fazer barulho... Mas qual é o nome dele?
— O nome dele é Antero e ele é muito bagunceiro sim essa peste. Esse arruaceiro ama destruir os meus chinelos, pense num cachorro arteiro, é Antero. — Respondeu o homem dando um cafuné no cachorro.
— Nossa, me desculpa, mas que nome diferente para se dar a um cachorro.
— Oush, tudo bem. — o homem riu. — E o qual é o nome do seu pássaro?
— Ele se chama Fobos... Na verdade, também não é um nome tão comum né? — Os dois riram.
— E é? Mas rapaz, eu achei o nome bonito e qual é o seu nome? — perguntou o moço gentilmente.
— Meu Deus, meu nome é Antônio. Me perdoe, perguntei o nome do seu cachorro antes de perguntar seu nome, como você se chama?
— Que isso cara, tá tudo certo, eu me chamo Eth. _ respondeu.
— Nossa, definitivamente você ganhou no quesito nomes incomuns. — ambos riram mais uma vez. — posso passar a mão no seu cachorro?
— Sim, mas só se você deixar eu passar a mão nessa sua corcunda. — disse o homem levando a mão para encostar na protuberância que o Antônio levava nas costas. Antônio, percebendo, dá um tapa corretivo na mão de Eth que leva um pequeno susto.
— Então não. — vetou Antônio seriamente.
— Nossa que inconveniência minha, me desculpe, era só porque costumam dizer que dá sorte passar a... por favor, me desculpe. — Disse Eth estando muito constrangido com o clima que a antes calorosa conversa agora tinha levado.
— Está desculpado. — respondeu Antônio ainda com um semblante sério.
— Se quiser, eu te ajudo a carregar suas sacolas que devem estar pesadas e você pode fazer carinho no Antero, é minha forma de me redimir. — disse Eth estendendo a coleira do cão para Antônio.
Antônio aceitou a oferta e fez carinho em Antero que babava em sua mão com algumas lambidas e balançava seu rabo freneticamente muito animado. Eles andaram mais alguns passos e chegaram em um lugar com um letreiro escrito "Casa de Ração Pandora". Os dois continuaram a conversa até a seção de rações da loja.
— Qual é a raça do seu pássaro? — perguntou Eth para Antônio.
— Fobos é um sanhaço.
— Eu acho que uma ração com farinha de minhoca e frutas tropicais... hmm espere... — ele analisava muito atento os expositores de ração da loja. — ...seria mais saudável pra sua ave, tipo... — Eth se inclina por cima dos expositores e aponta para uma embalagem de ração esverdeada com um pássaro parecido com o Fobos na capa. — Tipo está! Sabe, eu já fiz faculdade de veterinária, então...
— Ah, obrigado... Acho que o Fobos merece uma ração de qualidade... — Antônio exitou um pouco ao ir pegar a ração. — O velho diz que eu não gosto, mas eu até gosto dele sim, só queria que ele fosse mais feliz...
— O velho no caso é seu pai?
— Meio que sim... — Antônio responde ao pegar a ração sugerida. — Agora eu só preciso achar um veneno para ratos, está tendo uma infestação dessa praga lá em casa.
— Eu vim aqui para comprar biscoitos pro Antero, ele ama demais, ixe...
Com tudo comprado, ambos se despedem e Antônio volta para a casa. No caminho de volta, o rapaz fica a viagem inteira pensando sobre o estranho sujeito e seu cachorro que tinha acabado de conhecer, mas ele voltou os pensamentos para a realidade quando a caminhonete cinza que dirigia se aproximou da sua casa.
— CHEGUEI, TROUXE SEUS REMÉDIOS! — ele grita ao chegar em casa, mas não obteve respostas.
Ele coloca todas as sacolas sobre a mesa e checa todos os produtos, neste momento o jovem se dá conta que as sacolas com os remédios e com a receita médica do Sr. Pacheco não estavam ali e pensa que ele poderia possivelmente ter esquecido com o homem que conhecera a caminho da casa de ração, poderiam ter trocado algumas sacolas em uma confusão na despedida.
— Droga! Velho, eu tenho uma má notícia para... — ele não consegue terminar a frase ao ver o Sr. Pacheco estendido no chão da cozinha completamente desacordado. Antônio fica imóvel por uns instantes, mas quando volta em si, corre em direção ao homem e checa sua pulsação. O rapaz decide levar o idoso desacordado para a caminhonete no banco de trás, pega o pássaro Fobos e o coloca no banco do Carona, dá a partida na velha caminhonete e parte pela estrada de terra. Antônio suava e seus batimentos estavam acelerados, ele estava tão nervoso que quase não percebeu quando um sujeito gritava em direção ao carro.
— EI! POR FAVOR, AJUDA! — gritava o misterioso ser, que logo quando Antônio, ao descer do carro para ver o que se tratava, identificou ser Eth, o homem que conheceu a caminho da casa de ração. Milhões de perguntas entraram na cabeça do jovem, "como diabos esse menino veio parar aqui?", mas ele nem conseguiu dizer nada com o menino impaciente e aflito pedindo ajuda.
— Antônio! Que bom te encontrar aqui, eu preciso de ajuda, rápido venha comigo. — disse Eth puxando Antônio para um lugar. — O Antero foi atropelado, ele está imóvel, eu estou muito preocupado, eu não quero perder meu cachorro!
— Desculpe, mas eu não posso ajudar, encontrei meu pai desmaiado dentro de casa, preciso levá-lo para o hospital o quanto antes.
Mas então, Antônio se depara com o cachorro deitado na beira da estrada completamente estático, ele se aproxima aos poucos para ver o que aconteceu com o bicho. Ao parar na frente do animal, tudo fica preto. Antônio desmaia e acorda aos poucos com uma dor de cabeça enorme que invade seu cérebro e ele geme de dor, quando recobra os sentidos, percebe estar em um ambiente pequeno, apertado e muito escuro com apenas uns pequenos pontos de luz e ele começa a ouvir um barulho de motor.
Nesse momento, o jovem percebe que está sendo sequestrado e carregado no porta-malas de um carro em movimento. Antônio levanta e rapidamente tira o painel que cobria a lanterna traseira do carro para tentar abrir o porta-malas e escapar. O rapaz começou a arrancar os cabos de lá de dentro, em seguida começou a dar consecutivos chutes até quebrar o vidro da luz de freio e, com o vidro quebrado, enfiou a mão pelo buraco tentando abrir o bagageiro. Antônio consegue abrir o compartimento e pula rapidamente do carro em movimento rolando pelo chão. Ele levanta e percebe que o carro freia bruscamente, então, Antônio tira sua jaqueta e a joga no chão. Nessa hora, a protuberância que estava em suas costas revela que na verdade escondia um par de asas grandes com penas brancas iguais pérolas e Antônio se prepara para voar. Eth sai do carro e grita "ANTERO, PEGA", o cachorro salta do carro, corre em direção ao jovem que estava há alguns centímetros do chão e morde seu calcanhar. Antônio grita de dor desconcentrando-se e caindo no chão. Eth não perde tempo e corre em sua direção, o imobiliza segurando suas mãos e colocando os joelhos em cima das asas de Antônio que estava gritando e se debatendo desesperado. Em seguida, Eth coloca um pano no rosto de Antônio até o rapaz desmaiar e, com ele inerte, o carrega para o banco traseiro de seu carro. O carro parte em direção ao infinito. O sol se põe.